Existe amor em São Paulo
Mano (em
sotaque bem paulistano, aquele que ouvimos em frente ao juventus na Mooca),
fizeram uma música dizendo que não existe amor em São Paulo. Pois vou explicar
até o porquê de termos os ônibus na cor vermelha do amor.
Talvez falte
sensibilidade e um pouco de calor em nosso coração, que está sendo esfriado no
ar condicionado do carro, enquanto estamos parados nos infindáveis
engarrafamentos. Mas ao parar ao lado de um ponto de ônibus as dez da noite, sentindo
medo da violência urbana invadir nossa janela, podemos olhar para o lado e ver
um casal abraçado em um ponto de ônibus. Esses consortes podem ser os representantes do amor que
existe em SP.
Saíram cedo
de casa, o desjejum foi tomado no ponto de ônibus, que também é o local onde se
separam para ir ao trabalho. E são longas e laboriosas essas horas que os
separam do próximo encontro. O dia é sofrido, como costuma ser em São Paulo,
mas sempre se perfaz no abraço enquanto esperam o coletivo vermelho das dez da
noite.
Se o cupido
deixasse de ser um arqueiro e fizesse um bico (algo muito comum em SP) como
engenheiro, poderia dar o projeto desse amor paulistano. É preciso pavimentar a
via para o ônibus poder passar e não maltratar seus ocupantes com buracos que
parecem as crateras das ruas de SP. Pode ser necessário construir o seu próprio
ponto, mostrando-se preparado para as noites de espera enquanto conectados pelo
abraço. É crucial estar pronto para consertar o ônibus quando o mesmo quebrar,
algo semelhante ao que os cobradores faziam com os antigos trólebus que
passavam pelo centro de SP, descendo e colocando seus cabos de volta no lugar. O
amor ocasionalmente precisa de alguns reparos.
Com tudo
pronto, o casal pode embarcar em direção à sua morada, todos os anseios,
desejos e planos podem passar a catraca e se acomodar, ainda existem poltronas
vazias. E assim vamos negar a falácia de que o amor passa reto pelos pontos da
cidade conhecida como locomotiva.

Comentários
Postar um comentário