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O amor e o tempo

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A obra é de Pierre Mignard, Chronos/Saturno (personificação do tempo eterno e imortal) corta as asas de Eros/Cupido. O significado é de uma vastidão maior que a própria arte. O tempo é claramente mais forte do que os outros deuses da mitologia, devora até mesmo seus filhos (como mostrado em outra icônica pintura: chronos devorando um filho, de Goya). Na obra podemos n otar a força do tempo , que domina e pune o amor, representado por Eros. As asas são cortadas ou apenas aparadas? Após a pena, aplicada pelo juiz implacável e supremo, ainda é possível voar? As flechas ainda estão intactas, a foice não tem marcas de sangue... A ampulheta no canto direito mostra que ainda há e sperança, então vamos acreditar no voo do cupido. Um amor sem asas, com os pés no chão, não é p ernicioso , mas a beleza d o voo sempre encantou o Homem. É preciso (dentre todos os precisos daqueles versos do Drummond em Sentimento do Mundo ) acreditar que se pode voar. Amar é dar asas ...

Existe amor em São Paulo

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Mano (em sotaque bem paulistano, aquele que ouvimos em frente ao juventus na Mooca), fizeram uma música dizendo que não existe amor em São Paulo. Pois vou explicar até o porquê de termos os ônibus na cor vermelha do amor. Talvez falte sensibilidade e um pouco de calor em nosso coração, que está sendo esfriado no ar condicionado do carro, enquanto estamos parados nos infindáveis engarrafamentos. Mas ao parar ao lado de um ponto de ônibus as dez da noite, sentindo medo da violência urbana invadir nossa janela, podemos olhar para o lado e ver um casal abraçado em um ponto de ônibus. Esses consortes   podem ser os representantes do amor que existe em SP. Saíram cedo de casa, o desjejum foi tomado no ponto de ônibus, que também é o local onde se separam para ir ao trabalho. E são longas e laboriosas essas horas que os separam do próximo encontro. O dia é sofrido, como costuma ser em São Paulo, mas sempre se perfaz no abraço enquanto esperam o coletivo vermelho das dez da noite...

O consumismo

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Tenho um amigo que ama a foice em companhia do martelo, coleciona itens que com esses dois símbolos e diz que o capitalismo é coisa do demônio mesmo sendo ateu. Meu amigo, se o capitalismo é o diabo, a publicidade é o o tridente do belzebu, aquela ferramenta que ele usa como instrumento de tortura e símbolo de seu poder nas versões típicas de desenhos animados.           E sabe o que acontece, nós gostamos de narrativas, entramos de cabeça em qualquer uma que nos agrade minimamente. Além das suas camisetas vermelhas, você tem aquelas do star wars, do seu time de futebol e até da formatura daquela sua faculdade que você detestou com todas as forças.           Consegue perceber? Não é preciso de muito para aceitarmos qualquer coisa que dê um pequeno significado aos nossos atos. Hoje comprei papel para a impressora, 500 folhas por um valor que só daria para comprar um pão e um cafezinho, e f...

A política no Brasil

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Um filho teu não foge à luta, mas vai perdendo a esperança.                 Nossa conturbada política está acabando com o sonho do país do futuro, o roubo ao naturalmente rico país está o deixando eternamente deitado no berço nada esplêndido da pobreza.             Parece inocência continuar acreditando no futuro do nosso Brasil, a classe política parece nos estar condenando a penas cada vez mais árduas e longas. Eles não se sentem brasileiros? Ou deixaram de se sentir ao se tornarem políticos.             O país parece ter agora duas nacionalidades: o brasileiro e o político. O brasileiro sofre sem parar nas mãos dos governantes, e pela falta de reação deve ser masoquista. O político é o sádico, impossível não imaginar que tenha prazer em fazer tão mal ao próprio povo.    ...

A vida

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A vida é o período em que passamos nos despedindo das descobertas que fazemos. Quantas vezes, um mês depois de jurar que tinha descoberto o grande amor, não me despedi desejando nunca mais ver o ser pelo qual senti tamanha estima. É preciso espremer cada segundo que se vive em descoberta, ela irá se transfigurar em despedida antes do que se possa planejar um adeus apropriado.            Descobertas são mais empolgantes do que despedidas, e assim vamos nos entediando, pouco a pouco, junto de cada adeus. Por isso temos paixão por qualquer filhote, assistir as descobertas deles é uma das coisas mais prazerosas que podemos acompanhar. Ainda me lembro da primeira vez no estádio de futebol, jurei nunca mais perder tempo assistindo pela televisão. Até hoje estou cumprindo parte da promessa, nem pela televisão consigo assistir, ficou chato.             E com a ida...