O consumismo
Tenho um amigo que ama a foice em
companhia do martelo, coleciona itens que com esses dois símbolos e diz que o
capitalismo é coisa do demônio mesmo sendo ateu. Meu amigo, se o capitalismo é
o diabo, a publicidade é o o tridente do belzebu, aquela ferramenta que ele usa
como instrumento de tortura e símbolo de seu poder nas versões típicas de
desenhos animados.
E
sabe o que acontece, nós gostamos de narrativas, entramos de cabeça em qualquer
uma que nos agrade minimamente. Além das suas camisetas vermelhas, você tem
aquelas do star wars, do seu time de futebol e até da formatura daquela sua
faculdade que você detestou com todas as forças.
Consegue
perceber? Não é preciso de muito para aceitarmos qualquer coisa que dê um
pequeno significado aos nossos atos. Hoje comprei papel para a impressora, 500
folhas por um valor que só daria para comprar um pão e um cafezinho, e fiquei
feliz ao ler que a empresa que as vende está cuidando do reflorestamento, já me
sinto até uma pessoa mais engajada com a sustentabilidade. Que coisa maluca,
compro um produto cuja matéria prima é a árvore e a empresa vai cuidar do verde
do nosso planeta. Quanta bondade existe nessas empresas, nossa sorte é que
temos a publicidade para nos avisar, imagine eles fazendo tudo isso longe de
nossas cansadas vistas e sem o menor aviso.
As
marcas agora têm sentimentos, as propagandas estão dizendo que elas sofrem, se
emocionam e vibram junto com os funcionários e consumidores; seus produtos
sempre carregam alguma característica humana, esses dias vi uma peça
publicitária em que o carro virava um robô com características quase humanas.
Vou visitar a concessionária, quero um!
É
amigo, não é fácil, mas nos apegamos a qualquer história para nos sentirmos
menos mal diante da insignificância de nossos atos. Enfim, consumir com um
propósito tem me feito bem, assim como sua alegria ao abrir um excelente vinho
com o abridor de vinhos com a figura da foice e do martelo

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